Os dois burros

HOMENAGEM A Pe. Leo SJC.

"Os dois burros"

Na fazenda tinha dois burros. Um era burro, o outro burro e meio.
((riso)) 

O burro e meio acha que é mais inteligente que o outro. Que a pessoa, quanto mais besta, mais inteligente ela acha que é. A pessoa que é inteligente, mesmo, ela não fala que é inteligente. A pessoa que é humilde, já não fala que é humilde.

Então, os dois burros, aquele burro e meio, sempre encostando no outro. 

Quando eu fazia um serviço, ele sempre jogava o serviço pior para o outro burro.

E aquele outro burro, coitado, nasceu para ser um burro, mas era um burro que prestava. 

Ele nasceu para ser um burro santo. Ele era o melhor burro que podia ter.

Você também nasceu para ser santo. Que seja o melhor, não melhor do que os outros, melhor para os outros.

Você não tem que ser melhor que seu marido, você tem que ser melhor para o seu marido.

Você não tem que ser melhor que a sua irmã de comunidade, você tem que ser melhor para a sua irmã de comunidade.

Para Deus a gente dá o melhor.

E para as pessoas de Deus, a gente tem que dar o melhor também.

E aquele burro, então, só escolhia serviço fácil.

Quando tinha que puxar um arado, ele inventava desculpa e não ia.
O outro ia.

Aí um dia o patrão recolheu todos os burros. E falou para o capataz: 
“Arrume os burros, põe uma cangaia firme – cangaia é aquele negócio que põe nas costas do burro – que nós vamos fazer uma viagem longa. Vamos transportar muito material”. 

No dia seguinte, aquele burro e meio já chegou na frente dos outros para olhar, que ele queria a carga mais leve.

Aí ele viu ela um monte de palha, falou “Rapaz, eu vou levar essa palha aí. Eu vou ficar aqui perto e aí eu levo ela”.

Era uma carga enorme, porque palha dá um monte, né. E do lado tinha uns sacos de sal. E ele falou:

“É... esse aí eu vou deixar para o colega meu, né? “

((riso)) 

“Porque um saco desses é 60 quilos”. 

E aí foi encostado ali, como quem não quer nada e chamou o colega. 

“Vem cá, fulano, ficar conversando aqui...”

Sabe que os burros conversam, né. Eles têm diálogo: “hoon, hi-hoon”... 

((riso)) 

E falou “O capataz chega e coloca o sal no colega, e a palha em mim”.

Dito e feito, capataz olhou, bateu nele...”Ô, burrão... vai levar a palha”... 

“Fazer o quê? Estamos aí, né.”

((riso)) 

Parece alguns carismáticos que a gente conhece, né.

((riso)) 

E pos aquele monte de palha, aquela carga enorme, e ele fingindo que estava pesado... e aí o outro pos seis sacos de sal, em cada lado da cangaia. 

“Argh!”

“Nossa! Você está fraco, né”... 

((riso)) 

“Não almoçou não? Olha eu aqui, o tamanho da minha carga!”

E o outro não sabia que o sal era mais pesado, “Eu tenho que ser o melhor burro” e olha para o outro.

O outro burro falava para ele “ó! A gente tem que olhar bem onde a gente anda”.

“Que nada, deixa de ser bobo. A vida... a vida, é dos espertos. É só você olhar onde o outro passa, que você passa atrás sossegado. Você não precisa prestar atenção em nada, não.”

E ele foi indo, sossegado, e o outro do sal cansado. 

E de repente tem que atravessar um rio.

Tem que se atravessar o rio, o burro da palha, muito gentil, um líder carismático inspirado... 

((riso)) 

... falou “Ó! Vai lá irmão, você pode ir na frente”.

“Mas esse rio está meio fundo, hein?”

“Que nada, os outros passaram aí”.

“Bom...” e o burro que estava com os sacos de sal entrou no rio, e o rio era fundo. E o rio ia batendo o sal na água, que derretia. E derretia. E ele foi ficando mais leve, e conseguiu passar.

O outro burro “Não falei para você? Ó! Espera eu agora”... 
((risos)) 

“Ô, abre alas que eu quero passar...”

((risos)) 

E começou o desfile. 

A palha, na água... 

((risos)) 

... vai encharcando, vai encharcando, vai encharcando... 

((risos)) 

... quando estava no meio do rio, encharcou tanto que a correnteza levou o burro.

((risos)) 

E o encardido, ele quer fazer isso com você. Ele quer te dar uma vida bem suave, ele quer que você carregue palha. Mas, na hora que você tiver que passar o ribeirão da vida, meu filho, você vai morrer encharcado. Não tem outro jeito.

((aplausos))